sábado, 10 de outubro de 2009

Reunião de Negociação


Oi, gente!

Na última quinta-feira, depois de três dias de disputa política na Conferêcia de Educação, tivemos uma reunião de informação... ops.... de negocação com a SMED e o Recursos Humanos. A reunião foi uma demonstração de total desrespeito à capacidade de organização da categoria e ao sindicato que a representa.

Ao adentrar a sala de reunião tivemos que escutar a primeira provocação. Como estávamos eu e a Cris na reunião e comentávamos algo da UMEI São Gabriel, o Secretário Adjunto de Educação, Afonso Renan, questionou se chamávamos as crianças de alunos. Respondi q sim e ele imediatamente completou que as "meninas" (quem trabalha com ed infantil sempre é "menina") da SMED não chamam. A Cris respondeu: "Cuidado com o preconceito" e a Dagmar afirmou q é difícil chamar uma criança de aluno se não há trabalho pedagógico. Respondi rapidamente que trabalhamos com conceitos e conteúdos com as crianças pequenas, portanto elas são alunos/as, e passamos para a pauta da reunião, caso contrário os demais itens não seriam tratados.


O primeiro ponto de pauta foi a proposta do governo para a educação municipal. Iniciaram reafirmando a mesma posição anterior sobre o ACPATE: o governo não criou estratégias para garantir a substituição de professores/as e os 20% da carga horária para o estudo, planejamento e avaliação. Disseram que para diminuir as substituições, iriam "racionalizar o atendimento na perícia médica", mas não sabem ainda o q é isto. Irão continuar exigindo que os/as professores/as substituam. Afirmam q o papel do coordenador é essencial fora da sala de aula (o que concordamos), e que eles não devem substituir professores. Os/as acompanhantes também não podem substituir, pois a função deles/as é outra.

Seguindo esta lógica da prefeitura dentro do contexto existente hj na escola, recriamos na rede a educação feita por um grupo q pensa, planeja e avalia (acompanhantes, coordenadores e avaliação externa) e outros que executam (os professores que não tem tempo para planejar, avaliar e estudar). Sobre o aumento do número de professores por turma (de 1,5 para 1,8) o governo afirmou que este quantitativo é impssível de ser implementado, pois onera a folha de pagamento. Sabemos q a situação financeira da PBH é diferente da apresentada, comprovado pela pesquisa o ILAESE.

Ainda na discussão sobre ACPATE, levamos para a mesa de negociação o dado de 2008 de uma escola da rede. Ao calcularmos a quantidade de 10% de substituições durante o ano, os/as representantes do governo afirmaram que este dado é baixo e que 10% não preocupa a SMED.

Sobre a Reunião Pedagógica, o governo retrocedeu ao acordado na última reunião: retomam a discussão da ampliação da jornada por meio de um abono das reuniões fora do horário de trabalho. O governo afirmou com todas as letras que não há possibilidade de negociação neste ponto e que eles irão encaminhar o projeto para a Câmara, independente da posição oficial da categoria. Afirmaram, ainda, que os/as diretores/as aprovam esta idéia e isto já foi negociado com eles/as.

Outro projeto que será encaminhado para a câmara, independente da avaliação da categoria, é o abono de fixação. Ao discutirmos os problemas gerados por este abono, o Secretário de Recursos Humanos, Márcio Serrano, afirmou que deu certo na área da saúde e portanto será bom para a educação.

Neste momento o governo apresentou sua proposta de remuneração para os próximos anos: remuneração diferenciada de acordo com o projeto político pedagógico das escolas. Com esta política, não haverá mais índice salarial igual para todos, e o vencimento (não explicaram se no reajuste ou por abonos) será vinculado ao desempenho da escola. Segundo eles, isto estava explícito nas propostas de governo do Márcio Lacerda e será aplicado nos próximos anos, sem possibilidade de negociação.

Sobre os/as acompanhantes de escola, disseram que no geral eles escutam elogios, e que os problemas apresentados pelas escolas são pontuais. Caso estejam ocorrendo nas escolas, devemos encaminhar o nome deles/as para a SMED.

Tratamos ainda, das portarias do calendário escolar. Sobre este ponto eles novamente demonstram o desrespeito pelo sindicato, enquanto representante da categoria, afirmando coisas como: "não temos que conversar com o sindicato para resolver questões da cidade". Disseram que o calendário foi negociado direto com as escolas, e que a situação dos próximos cortes tem que ser discutido com o Recursos Humanos, na presença de representantes da SMED. Ao final do tema desafiaram a categoria a "tomar posição e criar o fato" de não reposição de alguns dias de greve.

Para terminar, disseram que não irão acatar o parecer da CEB/ CNE sobre a permanência dos/as professores/as de disciplinas específicas no último ano do segundo ciclo, antiga quinta série. Se negaram a dar esta orientação por escrito.

No ano de 2009, a categoria decidiu em assembleia realizar várias manifestações para reivindicar seus direitos. Definiu, ainda, que não estava preparada para assumir uma greve por tempo determinado ou indeterminado. Precisamos com urgência retomar nosso movimento, não deixando que a greve seja banalizada. Esta é uma das nossas estratégias mais fortes para garantir nossos direitos e interromper com a política neoliberal do governo Márcio Lacerda.

Durante todo o ano de 2009 defendemos e acreditamos na capacidade organizativa da rede. Neste momento chamamos todos/as a refletir sobre a política que teremos que enfrentar nos próximos 3 anos, pois se não recuperarmos esta capacidade, os ataques virão com mais força ainda.

Thaís

3 comentários:

jace disse...

Muito desanimador. A Conferência de Educação seria nossa oportunidade de nos fazer ouvir. No entanto, o que se viu lá, foi os representantes da SMED, do MEC e do Poder executivo dando as cartas. Diante dessa realidade, se faz necessária uma mobilização geral da categoria para uma greve logo no início de 2010.

Drika Sanz disse...

Realmente é desanimador... e mais ainda quando vemos educadoras (colegas de trabalho) com esse mesmo pensamento de não fazer trab pedagógico... Mas realmente fica bem difícil se a escola se transforma em depósito de crianças como (infelizmente) tenho visto acontecer. Apresentar melhores condições de trabalho para os professores eles não querem nem saber, mas fazer conferências para legitimar o seu poder anti-democrático é com a prefeitura mesmo...
Abraços,

jace disse...

Não sei quem é essa Dagmar. Baseado em que ela afirma que não há trabalho pedagógico na Educação Infantil?